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Opinião / Artigos

Servidão voluntária – A categoria que enfrentou a ditadura para participar de um culto ecumênico em protesto contra o assassinato.

Vladimir Herzog morto na cela do DOI-CODI; obra de bandidos

Servidão voluntária – A categoria que enfrentou a ditadura para participar de um culto ecumênico em protesto contra o assassinato de Herzog é hoje obrigada a se esconder de black blocs. E, infelizmente, fica de boca calada!

Santiago Andrade agoniza na calçada: obra de bandidos

Caio Silva de Souza. É este o nome do parceiro de Fábio Raposo, o rapaz que já está preso, no ato criminoso que resultou na morte do cinegrafista Santigo Andrade, da Band. Souza também teve decretada a prisão temporária. Se não se apresentar nas primeiras horas de hoje, a polícia, então, passará a procurá-lo. Não sei, não… Mas tenho a impressão de que era isso o que os ditos “manifestantes” queriam evitar quando passaram a assediar Raposo, oferecendo-lhe ajuda, a exemplo do que fez a tal “Sininho”, a moça que acha que a imprensa é composta de “carniceiros” e que diz ter falado em nome do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Raposo e Souza serão indicados por homicídio qualificado e explosão. Se condenados, a pena pode chegar a 35 anos de cadeia — será bem menos, eu sei…

Nesta segunda, entidades profissionais as mais variadas pediram proteção a jornalistas. Ok. Acho que é sempre saudável debater as condições de trabalho. Mas que tipo de proteção esperam? Por mais rebarbativas e, às vezes, covardes que tenham sido as notas, nenhuma consegue ser tão asquerosa, tão moralmente delinquente, como a do Sindicatos dos Jornalistas do Rio. O texto é nauseabundo (íntegra aqui). Jornalistas com um mínimo de decoro profissional que ainda são associados deveriam pedir imediatamente para se desligar de uma entidade capaz de cometer tamanha indignidade.

A primeira palavra da nota pública do sindicato já é moralmente dolosa. Reproduzo um trecho:
“Independentemente de onde tenha partido o artefato explosivo que feriu gravemente o repórter cinematográfico Santiago Ilídio Andrade, que trabalha na TV Bandeirantes, em protesto na Central do Brasil contra o aumento das passagens de ônibus, nesta quinta-feira (06/02), as imagens revelam que o profissional, assim como a maioria dos jornalistas atuantes nas coberturas de manifestações desde junho passado, não estava preparado para enfrentar um risco como esse. (…)”

Como? “Independentemente de onde tenha partido o artefato (…)”??? O Sindicato dos Jornalistas do Rio ainda tem alguma dúvida a respeito? Ainda não está plenamente convencido, apesar das imagens e da confissão de um dos presos, obtida sob a proteção de todas as garantias legais? Se você tiverem paciência para ler a íntegra, verão que o sindicato elegeu como alvos “os patrões” e, claro, o estado. Não há uma só palavra censurando os assassinos de Santiago; não há uma vírgula contra a violência nas manifestações.

Ao afirmar que o cinegrafista “não estava preparado”, o sindicato, queira ou não, o torna uma espécie de coautor da próprio assassinato, entenderam? Os principais responsáveis, é evidente, são “os patrões e o estado”; secundariamente, Santiago deveria responder pela imprudência — ele e outros tantos que vão para a rua sem… capacete! O sindicato não gosta disso. A instituição que veio a público pedir a cabeça de uma profissional porque emitiu uma opinião com a qual o sindicato não concorda é incapaz de ser clara e inequívoca na censura aos assassinos de um cinegrafista e ainda parece duvidar um tanto da verdade escancarada.

Parece que o modelito imaginado pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio para os profissionais de imprensa é o mesmo dos black blocs: capacete, máscara antigás, quem sabe alguns morteiros — mas só para se defender, é claro…

Perguntem
Perguntem a qualquer jornalista de grande veículo cujo rosto seja conhecido — e isso vale, é óbvio, especialmente para as TVs — se hoje eles têm coragem de cobrir manifestações. A resposta, obviamente, é não. A menos que usem, de fato, máscaras. Perguntem a esses mesmos jornalistas se é da polícia que eles têm medo. Pode até haver um outro; sabem que podem se ferir em confrontos; que há, sim, policiais que podem tomar decisões estúpidas, mas a verdade é que esses profissionais da imprensa não podem cobrir esses eventos porque seriam linchados por black blocs e delinquentes afins.

No dia 31 de outubro de 1975, ainda nos piores dias da ditadura, estima-se QUE PELO MENOS MIL JORNALISTAS estavam no culto ecumênico na Catedral da Sé, que denunciava o assassinato de Vladimir Herzog, ocorrido no dia 25 daquele mês nas dependências do DOI-Codi. Todos estavam, sim, como muito medo — como de resto as outras estimadas sete mil pessoas que lá se encontravam. Mas os jornalistas, ainda assim, enfrentaram o perigo.

Quase 40 anos depois, em plena vigência do regime democrático, a categoria que enfrentou a ditadura para participar de um culto ecumênico é obrigada a se esconder de fascistoides e baderneiros.

Texto publicado originalmente às 6h29

Por Reinaldo Azevedo

 

Esta é a foto de um dos assassinos de Santiago Andrade. Ele está foragido

Olhem aí. Esta é a foto de um dos assassinos do cinegrafista Santiago Andrade. A gente precisa perguntar agora para aquele funcionário do Marcelo Freixo, o candidato a santo do socialismo dos endinheirados da Zona Sul do Rio, se ele continuará a fornecer seus préstimos advocatícios para este patriota da causa popular. Caio Silva de Souza está foragido.

foto assassino de Santiago Andrade

Ou empresas da área de comunicação põem o dedo na ferida, ou encontro com Cardozo, da Justiça, é inútil: o governo federal continuará a financiar os linchadores da imprensa? Já temos um morto.


Cardozo, da Justiça: ele já deveria ter pegado o paletó faz tempo. Mas está aí....

 

O governo quer proteger jornalistas? Que tal parar de financiar com dinheiro de estatais os pistoleiros do subjornalismo que incitam o ódio contra a imprensa? Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida:

Cadozo imprensa

O estado brasileiro, em qualquer de suas esferas, não pode pôr um guarda-costas para cada jornalista que queira trabalhar, não é? A federalização dos crimes contra jornalistas pode ter eficácia num caso ou noutro em que a agressão à imprensa está associada a poderes locais — mas não é isso que tem impedido o livre exercício da imprensa hoje em dia.

Grupos contra a mídia
Desde que o PT chegou ao poder — e especialmente depois que Franklin Martins passou a ser o homem forte da área de comunicação do governo Lula —, a animosidade contra os jornalistas cresceu brutalmente. E não é só de black blocs, não! Vamos parar com essa mentira!

Jornalistas de grandes veículos não podem cobrir manifestações de sem-teto em São Paulo, por exemplo. A não ser escondidos. Atenção! Repórteres de TV com suas respectivas logomarcas foram hostilizados até na cobertura da vinda do papa ao Brasil.

Alguns dos grupos mais violentos que estão nas ruas se dizem partidários de “mídias alternativas” e coisas do gênero. Partem do princípio de que repórteres estão nas ruas para mentir. Quem deu início a essa caçada? Sim, senhores! Foi o governo federal petista, muito especialmente pelas mãos do sr. Franklin Martins.

O que temos?
Com dinheiro da administração direta e das estatais — Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, em particular —, sites, blogs e revistas promovem uma verdadeira guerra santa contra a imprensa independente, que acusam de estar a serviço de tucanos, da direita, dos conservadores, sei lá do quê.

A grande imprensa sabe disso e, infelizmente, se cala; não denuncia essa canalhice com a clareza com que deveria fazê-lo. Duvido que os representantes das associações que se encontraram com Cardozo vão tocar no assunto.

Vou insistir na questão porque é verdadeira. Vou insistir na questão porque os jornalistas que me leem sabem que é assim. ELES TÊM DE SE ESCONDER NAS RUAS DOS BLACK BLOCS, DOS DITOS MOVIMENTOS SOCIAIS, DOS GRUPOS CHAMADOS DE MÍDIA ALTERNATIVA. A qualquer momento, redes organizadas de difamação na Internet podem dar início a correntes de opinião para tentar destruir pessoas.

É o governo federal e sua “política de mídia” — que é como os canalhas agressores chamam o jornalismo — que estão obrigando a imprensa a trabalhar sob censura.

Se Cardozo quer mesmo “colaborar”, que fale com sua chefe, Dilma Rousseff, para que tome uma de duas providências:
a: cortar o dinheiro público que alimenta os canalhas incitadores;
b: já que financiam a opinião e garantem o pão, que esses palhaços perigosos parem de incentivar o ódio ao jornalismo independente.

Sem isso, tudo vira conversa mole. Mais: é bom ter claro que o feitiço pode se virar contra o feiticeiro, não é mesmo? À medida que a imprensa se acovarda — e, com raras exceções, ela se acovardou —, os bandidos ganham espaço. Sem que o jornalismo possa fazer com liberdade o seu trabalho, os violentos ganham espaço. E a Copa do Mundo está aí.

Vai melhorar?
Os sinais são ruins. A até agora mal explicada queda de Helena Chagas da Secretaria de Comunicação vem na esteira de um gritaria danada dos blogs sujos financiados, que queriam mais dinheiro — se terão ou não, isso vamos ver. Franklin Martins, o pai da estratégia de demonização da imprensa, será o homem forte da área na campanha de reeleição de Dilma. Isso faz supor que recuperou, desde já, o seu poder de influenciar a rede de difamação que hoje atua a sérvio do governo federal e do PT.

E ainda tenho outras lembranças a fazer a Cardozo, aquele que agora se apresenta com a solucionática da problemática.

Por Reinaldo Azevedo

 

Marcelo Freixo, do PSOL, este homem a cada dia mais santo! Ou: Assessor de deputado ajuda presos em badernas

Por Elenice Bottari e Luiz Ernesto Magalhães, no Globo Online:
Assessor parlamentar do deputado Marcelo Freixo (PSOL) na Assembleia Legislativa (Alerj), o advogado Thiago de Souza Melo também comanda uma ONG que presta assessoria jurídica gratuita a pessoas que são presas durante as manifestações por vandalismo e outros crimes. Thiago é um dos diretores do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH). Em outubro, um dos clientes atendidos pela entidade foi o tatuador Fábio Raposo, também conhecido como Fox, um dos acusados de envolvimento com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes.

O vínculo de Thiago com manifestantes veio a público nesta segunda-feira, um dia após a polêmica envolvendo o advogado Jonas Tadeu Nunes e Marcelo Freixo. Advogado de Fábio, Jonas chegou a afirmar que os dois acusados de dispararem o artefato que matou o cinegrafista seriam ligados ao deputado. Freixo negou a informação e rebateu observando que Jonas Tadeu representou o ex-deputado Natalino Guimarães em um depoimento na Alerj durante a CPI das Milícias.

Presidente da Alerj critica acúmulo
Na vida profissional, Thiago teve outros vínculos com o PSOL. Em Niterói, por exemplo, prestou assistência jurídica para o partido. No gabinete de Freixo, ele recebe R$ 5.685,53 mensais (valor bruto) como assessor parlamentar. Para o deputado, não há conflitos de interesse. Freixo admitiu que já foi procurado por amigos e parentes de presos em manifestações solicitando ajuda. O deputado, porém, ressaltou que jamais pediu apoio à DDH para ajudar com detidos. “Thiago acompanha a pauta de votações e me presta assessoria jurídica no plenário. Como assessor parlamentar, trabalha muito. Mas não exijo dedicação exclusiva. Os funcionários podem atuar em outras atividades, se desejarem, fora do expediente. Não vejo conflito de interesses. Eu mesmo, no primeiro mandato, continuei a dar aulas. Além disso, nunca repassei qualquer caso para a DDH. Sempre que alguém me procura com uma demanda jurídica, encaminho à Defensoria Pública”, disse Freixo.

O advogado trabalha no gabinete de Freixo desde 16 de fevereiro de 2007. Naquele ano, ajudou a fundar a ONG, criada inicialmente para atender a parentes de vítimas de violência policial no Complexo do Alemão, expandindo suas atividades posteriormente. O advogado negou usar a estrutura do gabinete de Freixo na Alerj para ajudar os presos. Segundo ele, as atividades da ONG e seu trabalho na Alerj são independentes.

“No DDH, defendemos vários casos de pessoas contra as quais nada foi provado. Essa é uma atividade voluntária, sem vinculação política. Trata-se de iniciativa de um grupo de advogados que nada recebem para isso. Sou apenas um deles. Minha atividade principal é como assessor parlamentar. Nem sempre posso atender os manifestantes. Quando Fábio foi preso em outubro, por exemplo, estava viajando”, afirmou Thiago.

O advogado também afirmou não ter recebido qualquer ligação da ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, pedindo apoio jurídico para Fábio. O presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), criticou o acúmulo de funções de Thiago. Segundo ele, a prática pode não ser ilegal, mas não seria ética: “Não é recomendável que uma pessoa que exerça cargo público e ganhe dinheiro com isso defenda pessoas, em muitos casos, acusadas de depredar esse patrimônio. A própria Alerj já foi alvo de vandalismo por parte de alguns desses manifestantes”, disse Melo.

Freixo lamentou ontem a morte de Santiago e afirmou que a violência nas manifestações tem que cessar. Ele disse ainda que estava tentando contato com o novo chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, para pedir rigor e prioridade na investigação. Segundo o deputado, as manifestações são importantes e devem continuar, mas sem violência e sem impedir o trabalho de jornalistas. “Eu quero, de forma muito sincera, lamentar profundamente esse ato, que levou à morte uma pessoa querida, conhecida, o Santiago trabalhou com minha mulher. E é inaceitável que a gente, diante de uma manifestação que é um instrumento de cidadania, de democracia, que faz parte da história do Rio de Janeiro e do Brasil, ter de se deparar com a morte de um trabalhador no exercício de sua profissão. O que aconteceu é muito sério. E também quero dizer que eu repudio qualquer forma de violência, seja de quem for. A gente precisa dar um basta na escalada de violência, de todos os lados. Tivemos vários profissionais de comunicação feridos nessas manifestações, e agora a sociedade está enterrando um. Essa escalada de violência precisa cessar. Isso é péssimo para todos, não há vencedor quando se tem violência no meio de uma manifestação. Seja que grupo for, eu repudio violentamente essa possibilidade de uma ação violenta, que nos traz dor e não nos traz nenhum avanço.” Freixo defendeu ainda o trabalho jornalístico nas manifestações: “É fundamental o papel da imprensa”, afirmou o deputado.

Para mãe, filho conhecia Freixo
A dona de casa Marise Raposo, mãe de Fábio Raposo — preso sob a acusação de que que teria participado do ataque ao cinegrafista Santiago Andrade —, disse, no domingo para um repórter do GLOBO, por telefone, achar que o filho conhecia o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Quando foi perguntado se sabia em que circunstância o filho conhecera o parlamentar, ela afirmou que não poderia falar porque não morava com ele. Os pais de Fábio Raposo moram no Recreio e ele vive sozinho num apartamento no Méier, onde a polícia chegou a fazer uma busca e apreensão. Na mesma ligação telefônica, Marise disse que, naquele dia, havia recebido uma ligação de Elisa Quadros, conhecida como Sininho, por volta da hora do almoço. Ela, no entanto, não quis informar o teor da conversa que tivera com a manifestante.

Por Reinaldo Azevedo

 

O editorial do Jornal Nacional, o que está certo e o que está muito, mas muito errado

Enquanto o pau voltava a comer no Centro do Rio — E NÃO POR CULPA DA PM, QUE SE SAIBA —, o Jornal Nacional levou ao ar um editorial, com o qual, em parte, concordo. Mas também há passagens das quais discordo radicalmente. Segue o texto na íntegra. Os destaque em vermelho ficam por minha conta. Volto depois.
*
Não é só a imprensa que está de luto com a morte do nosso colega da TV Bandeirantes Santiago Andrade. É a sociedade.

Jornalistas não são pessoas especiais, não são melhores nem piores do que os outros profissionais. Mas é essencial, numa democracia, um jornalismo profissional, que busque sempre a isenção e a correção para informar o cidadão sobre o que está acontecendo. E o cidadão, informado de maneira ampla e plural, escolha o caminho que quer seguir. Sem cidadãos informados não existe democracia.

Desde as primeiras grandes manifestações de junho, que reuniram milhões de cidadãos pacificamente no Brasil todo, grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência. E a cada nova manifestação, passaram a hostilizar jornalistas profissionais.

Foi uma atitude autoritária, porque atacou a liberdade de expressão; e foi uma atitude suicida, porque sem os jornalistas profissionais, a nação não tem como tomar conhecimento amplo das manifestações que promove.

Também a polícia errou — e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão.

A violência é condenável sempre, venha de onde vier. Ela pode atingir um manifestante, um policial, um cidadão que está na rua e que não tem nada tem a ver com a manifestação. E pode atingir os jornalistas, que são os olhos e os ouvidos da sociedade. Toda vez que isso acontece, a sociedade perde, porque a violência resulta num cerceamento à liberdade de imprensa.

Como um jornalista pode colher e divulgar as informações quando se vê entre paus e pedras e rojões de um lado, e bombas de efeito moral e bala de borracha de outro?

Os brasileiros têm o direito de se manifestar, sem violência, quando quiserem, contra isso ou a favor daquilo. E o jornalismo profissional vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum.

Exatamente como o nosso colega Santiago Andrade estava fazendo na quinta-feira passada. Ele não estava ali protestando, nem combatendo o protesto. Ele estava trabalhando, para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto.

Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional.

O que se espera, agora, é que essa morte absurda leve racionalidade aos que contaminam as manifestações com a violência. A violência tira a vida de pessoas, machuca pessoas inocentes e impede o trabalho jornalístico, que é essencial – nós repetimos – essencial numa democracia.

A Rede Globo se solidariza com a família de Santiago, lamenta a sua morte, e se junta a todos que exigem que os culpados sejam identificados, exemplarmente punidos. E que a polícia investigue se, por trás da violência, existe algo mais do que a pura irracionalidade.

Comento
Endosso o que não está em destaque. Mas vamos ao que não vai bem:
1: Infelizmente, desde o início, as manifestações já foram notavelmente violentas, e não é verdade que se tratasse de grupos minoritários. Os três primeiros protestos contra o reajuste de passagens em São Paulo, nos dias 6, 7 e 11 de junho, já foram brutais, com depredação, coquetéis molotov e tentativa de linchamento de policiais. ESSA NÃO É A MINHA OPINIÃO. São os fatos. Está tudo devidamente documentado. De resto, nessas manifestações, nem se podia falar em minoria violenta porque eram protestos por si minoritários.

assistam 

http://www.youtube.com/watch?v=-10Wwf20R1E

 

2: Por que a polícia está apanhando num editorial que lamenta a morte de um cinegrafista, quando todos sabem quem são os assassinos? O que ela tem com isso? Parece-me que o expediente ajuda a diluir as responsabilidades. O jornalismo tem de ser isento, claro!, mas não em relação ao estado de direito. Se e quando a polícia cometer seus exageros, falhas, omissões crimes, que seja criticada por isso.

3: Parece-me que há aí uma tentativa de justificar um erro lamentável de apuração cometido por um jornalista da GloboNews. Um jornalista, em circunstâncias assim, terá de colher a verdade justamente em circunstâncias adversas. Há jornalismo de guerra, mas não de monastérios. Incomoda-me que “paus, pedras e rojões de um lado” sejam igualados a “bombas de efeito moral e balas de borracha de outro”. Essa formulação é falsa. O uso de instrumentos de contenção e de repressão da desordem são disciplinados por lei; estão previstos no estado democrático e de direito — o de paus, pedras e rojões não! Sim, a polícia já errou. Que tivesse merecido o seu editorial. Mais: quando é que se deu a omissão? Quando tardou a recorrer aos instrumentos que estão sendo equiparados às armas de delinquentes? Enquanto prevalecer a ideia de que policiais e bandidos disfarçados de manifestantes são forças beligerantes equivalentes, cidadãos estarão correndo riscos desnecessários — inclusive jornalistas.

4: Eu não acho que a manifestação fosse contra o reajuste da passagem, não. Mas aí a divergência é mais funda e vou deixá-la de lado. Eu temo é pelo risco embutido na formulação “para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto”. Numa leitura imediata, parece apenas sensato. Com um pouco mais de rigor, é preciso deixar claro que a imprensa não pode ser nem isenta nem neutra quando protestos desrespeitam de forma manifesta os fundamentos da democracia, ainda que seja convocada por monges budistas. Como costumo dizer, se tocadores de oboé decidirem promover a desordem no centro da cidade e impedir o direito de ir e vir, os tocadores de oboé têm de ser reprimidos. Se pegarem paus e pedras para atacar a polícia — ou mesmo seus oboés —, terão de ser contidos. Se preciso com bomba de gás, que não é pau. Se preciso com bomba de efeito moral, que não é morteiro. Se preciso, com bala de borracha, que não é pedra. Temos é de exigir que a polícia use com sabedoria, parcimônia e rigor técnico os instrumentos de que dispõe para manter a ordem pública. Ou vamos ignorar que estes que se dizem “black blocs”, em suas páginas das redes sociais, pregam o ataque aos policiais?

Se a policia apanha da imprensa quando erra e apanha da imprensa também quando aqueles que ela reprime cometem um homicídio, então se tem que bater na polícia, por definição, é um princípio civilizador. E eu não acho que seja.

Encerro
Enquanto o editorial era lido, vândalos mascarados, mais uma vez, procuravam provocar a barbárie no Centro do Rio. É uma gente tão asquerosa que nem mesmo teve o bom senso de suspender o protesto no dia em que foi anunciada a morte de Santiago Andrade. Cadáveres fazem parte de sua lógica.

Por Reinaldo Azevedo

 

À sua maneira, a morte de Santiago foi cuidadosamente planejada. Ou: Um vídeo com estrelas globais e um juiz que exalta a tática black bloc, que matou o cinegrafista

Como eu sou contra a censura; como eu me oponho ao cerceamento da imprensa; como eu acho que estamos lidando com fascistas asquerosos, que odeiam a liberdade, eu vou lembrar todos aqueles que ajudaram a criar o clima que resultou na morte de Santiago Andrade.

No dia 28 de outubro, escrevi um post sobre a convocação que descoletesglobais e outros faziam para novos protestos no Rio. Vejam no arquivo quantas vezes este cão danado aqui apontou que, em Banânia, artista é tratado como pensador — e, infelizmente, muitas vezes, pensadores anseiam a fama de artistas. Os que deveriam buscar aplausos querem ser reconhecidos como filósofos, e alguns “filósofos”, por sua vez, só querem ser aplaudidos…

Abaixo, há um vídeo em que alguns rostos muito conhecidos, outros menos, convocam a população para um protesto. Assistam. Volto em seguida.

Voltei
1: Como vocês viram, um dos alvos da insatisfação é a tal “mídia”. Vocês sabem a quem pertence a agenda que, no fim das contas, criminaliza mesmo é a imprensa. Aliás, o maior “grupo de mídia” do país são as Organizações Globo, que detêm concessões de TV aberta, por assinatura e de rádio, jornal, revista etc. Assina a carteira de trabalho de boa parte dos bacanas. Isso não quer dizer que não possam e não devam dizer o que pensam e discordar. Mas, então, que deem nome aos bois. Qual “mídia” trata de modo inadequado os “manifestantes”? Como sabe toda gente, ao contrário do que se anuncia acima,A IMPRENSA TEM SE NEGADO A CRIMINALIZAR ATÉ MESMO OS CRIMINOSOS.

2: Quem não faz a distinção entre manifestantes e bandidos são os atores globais e os outros dois ou três que se manifestam. Notem:
a) não há uma só palavra de censura às depredações;
b) a polícia é vista como a única responsável pelos confrontos;
c) pessoas detidas depredando a cidade são chamadas de “presos políticos”.

3: Uma jovem chamada Bianca Comparato — nunca vi, mas parece ser atriz —, aos 3min23s, defende, as palavras fazem sentido, o quebra-quebra. Transcrevo sua fala (em vermelho):
“[órgãos de imprensa] só reportam o que é que foi quebrado, o que foi destruído. E eu também acho que tem de parar para pensar o que é que está sendo destruído. São casas de pessoas, como (sic) a polícia joga uma bomba de gás dentro de um apartamento? Não! São lugares simbólicos”.

Nunca vi a PM jogando bombas de gás dentro de apartamentos, mas Bianca viu. Ok. Mas isso não é o mais importante. É evidente que ela está defendendo a ação de destruição dos black blocs, mas só a dos “lugares simbólicos”. Do quê? Que eu saiba, quebram bancos, lojas, prédios públicos, praças, estações de trem, de metrô… Lugares simbólicos da civilização?

4: Algumas estrelas do vídeo merecem breves considerações:
a) Wagner Moura, hoje, é o líder dos engajados no Brasil. Tornou-se uma espécie de garoto-propaganda do PSOL, em especial da linha freixista (de Marcelo Freixo);
b) Marcos Palmeira é genericamente a favor de coisas boas, belas e justas, especialmente as ligadas à natureza. Foi uma das estrelas daquele vídeo patético contra Belo Monte. Palmeira sabe como cuidar da questão energética brasileira e, como se vê, é um profundo pensador da democracia. Eduardo Campos o quer como candidato ao governo do Rio pelo PSB.
c) Camila Pitanga é militante petista e garota-propaganda da Caixa Econômica Federal, em especial do programa Minha Casa Minha Vida. Já está engajada na candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio.

No dia 17 de junho, no Rio, aconteceu isto aqui, vejam:

http://www.youtube.com/watch?v=JrxsAro-nI0

 

 

 

 

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